Trabalho como agente de promoção da saúde é tema de palestra em Congresso | Portal Jurídico Investidura - Direito

Trabalho como agente de promoção da saúde é tema de palestra em Congresso

Teve inicio nesta quarta-feira (6/11), na sede do Conselho da Justiça Federal (CJF), em Brasília, o IV Congresso Brasileiro dos Serviços de Saúde do Poder Judiciário, evento promovido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em parceria com o Centro de Estudos Judiciários (CEJ) do CJF. A doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de Paris, Heliete Maria Castilho Karam, ministrou a primeira conferência do encontro, cujo tema foi “O trabalho como agente de promoção da saúde”. Ela iniciou sua conferência ressaltando que o dia a dia da saúde é frágil e precário, um estado constante de luta pela busca de um equilíbrio entre a compensação e descompensação. “Para a psicodinâmica do trabalho, saúde são todos os estados que se encontraram entre o bem estar físico, psíquico, moral, social, de um lado e, de outro lado, as descompensações”, disse.

Segundo ela, saúde não se compra e não se vende. “Saúde não é mercadoria”, afirma. Para o que o trabalho seja agente promotor da saúde, explicou Heliete Maria, é preciso que seja agente causador de esperança nas organizações.  “Esse é o maior desafio para nós, profissionais da saúde, um desafio hoje no Brasil e em muitos países do mundo. Existem países  com situações graves e o Brasil não fica de fora, pois temos entrado em uma roda viva, em um mercantilismo que implica  na própria comercialização da saúde”, comentou .

Um dos desafios, de acordo com a especialista, é ajudar o serviço de saúde das organizações a compreenderem que trabalhar não é só produzir, mas sim transformar a si mesmo.  “É nesse aspecto que reside a potência do trabalho, como agente de promoção de saúde. Transformar a si mesmo depende das organizações permitirem ao sujeito, qualquer que seja o seu nível hierárquico, dar continuidade  ao processo de construção de sua identidade.  Identidade que, embora seja um conceito  da Sociologia,  é   o arcabouço e articulador da saúde mental”, disse. 

De acordo com a especialista, a saúde depende dessa articulação entre o trabalho como produção e o trabalho psíquico investido  na produção.  “Aí, sim, existe trabalho efetivo. Em outras palavras, há trabalho vivo. Quando o sujeito desafiado pelo real pode reagir, terá, então, liberdade suficiente no ambiente de trabalho para reagir e acrescentar algo de si ao processo”.

Outro ponto abordado pela especialista foram os altos índices de suicídio e as dependências químicas, no mundo todo, ligados ao ambiente de trabalho ruim.  “Algumas pessoas recorrem ao álcool para silenciar esse barulho interno e anestesiar  a consciência. Já o suicídio também começa a  preocupar o Brasil, mas infelizmente aqui não é tão estudado como lá fora. Segundo ela, em 2010 ocorreram 10.334 suicídios na França, sendo 68% relacionados ao trabalho.  Já os países asiáticos estão em primeiro lugar em índices de suicídios entre pessoas de 14 a 34 anos, que trabalham de 6h da manhã às 21h da noite. 

“Quando o trabalho não vai bem, não adianta forçar o trabalhador, exigindo mais assiduidade, mais presença, mais concentração,  mais treinamento, menos erros,  mais resultados, mais produtividade , melhor cumprimento de metas e prazos  ou ainda mais e melhor assiduidade pessoal com sua saúde, muitas vezes responsabilizando e até culpando  pelos descuidos do seu corpo ou comportamento”, falou Heliete Maria Castilho.

Abertura

Na cerimônia de abertura do Congresso, o secretario de Saúde do STJ, Bonfim Abrahão Tobias, agradeceu a presença de todos e ressaltou que o Congresso é muito importante para o Judiciário brasileiro, pois permitirá uma intensa troca de conhecimento. “O objetivo do encontro é trocar ideias e experiências na área de Saúde, para que possamos ter uma uniformização dessas atividades em toda a Justiça do Brasil”, falou o secretario.

O Serviço de Saúde do Judiciário, segundo o Abrahão Tobias, não é área fim nem meio, mas sim uma área de apoio, que como tal deve ser observada e respeitada naturalmente. “O nosso objetivo é oferecer o melhor tratamento aos magistrados e servidores de toda a Justiça brasileira. Por isso, temos que dar a devida importância ao Serviço de Saúde, porque a manutenção do bem estar físico e mental dos seus integrantes depende do bom trabalho de toda a Justiça e da importância que todo Serviço de Saúde tem no Judiciário”, finalizou o secretário.

Voltado para profissionais de saúde e de recursos humanos que atuam na área médica do Poder Judiciário, o evento tem por objetivo promover a informação, a atualização científica e a integração entre os servidores do setor. O evento tem como metas específicas debater ações de saúde assistenciais, preventivas e atividades periciais; estimular a interdisciplinaridade nas ações relativas à saúde; divulgar experiências em projetos e trabalhos realizados e integrar os Serviços de Saúde dos diversos órgãos do Poder Judiciário.

O Congresso se estenderá até sexta-feira, na sede CJF, ocasião em que serão realizadas  mesas-redondas, palestras, conferências e apresentações de temas livres, programas e projetos relativos a atividades e experiências dos Serviços de Saúde do Poder Judiciário.



Fonte: CJF

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NOTíCIAS,. Trabalho como agente de promoção da saúde é tema de palestra em Congresso. Portal Jurídico Investidura, Florianópolis/SC, 11 Nov. 2013. Disponível em: www.investidura.com.br/noticias/242-conselho-da-justica-federal/313934-trabalho-como-agente-de-promocao-da-saude-e-tema-de-palestra-em-congresso. Acesso em: 26 Fev. 2020

 

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