Grécia e Roma - Funari

Grécia e Roma - Pedro Paulo Funari

 

 

Thiago André Marques Vieira *

 

 

Grécia

 

 

Quem eram os gregos? As primeiras civilizações da Grécia antiga.

 

O território grego consistia na península Balcânica e ilhas no seu litoral. Algumas médias, a maioria pequenas e outras grandes como Creta, esta talvez a mais importante entre todas as ilhas. Os gregos sofreram grande influência dos orientais em sua cultura, como exemplo tem-se os anatólios que ocuparam a ilha de Creta.

 

Creta tinha uma economia baseada no comércio, os cretenses possuíam uma escrita hieroglífica, esta influência egípcia. A principal cidade de Creta era Cnossos, que era o centro administrativo da ilha. Os cretenses também construíram grandes palácios, desenvolveram depósitos de alimentos e arquivos contábeis.

 

Os principais povos gregos foram os jônios, aqueus, eólios e dórios. Os jônios foram o primeiro povo grego, eles eram guerreiros, dominaram a região e sofreram grande influência dos povos dominados. Os jônios foram expulsos pelos aqueus e eólios. Ao contrario, dos jônios os aqueus sofreram forte influência da cultura cretense, como na construção de grandes palácios. Os aqueus possuíam uma estrutura descentralizada organizada em cidades poderosas que as vezes uniam-se por motivos maiores. A civilização aquéia ficou conhecida como Micênica, devido ao fato de Micenas ser a cidade mais importante para este povo. Os aqueus foram expulsos pelos dórios, que agregaram a metalurgia do ferro e a cerâmica como decoração na civilização grega.

 

 

Os gregos, das ruínas de Micenas para uma nova civilização.

 

Após a invasão dórica, a civilização micênica deixou praticamente de existir, a escrita por hieróglifos desapareceu e tempos depois por influência  dos orientais foi adotato o alfabeto similar ao atual. Os documentos mais importantes deste período são as obras de Homero, a Ilíada e a Odisséia.  No âmbito religioso os deuses continuaram os mesmos. Houve uma grande mudança na estrutura da sociedade que passou a ser mais militar e ter menos hierarquias do que valorizar grandes palácios.

 

 

A civilização grega “propriamente dita”: o mundo grego – séculos VIII – VI a.C

 

A civilização grega é composta por elementos gregos originais e por muitas influencias orientais, como já foi dito. Uma das principais influências orientais foi o alfabeto fonético, trazido dos fenícios, que possibilitou um desenvolvimento enorme da cultura grega.

 

O mundo grego neste período estava dividido em cidades autônomas administrativamente e politicamente, eram as chamadas cidades-estado, ou pólis. A forma de governo mais freqüente nestas cidades era a aristocracia, ou seja, a cidade era governada pelos seus nobres. Em certas cidades a tirania foi instaurada como forma de governo; este modo de governo assemelhava-se com o que viria ser a democracia grega, pois os tiranos eram defensores dos direitos do povo.

 

As principais cidades gregas eram Esparta, conhecida pelo seu exército, e Atenas, conhecida pela democracia.

 

 

Esparta

 

Cidade localizada na região da Lacônia, isolada geograficamente, possuía terras férteis e com pastagens boas. Uma cidade conhecida pelo seu alto potencial militar. O povo de Esparta era descendente dos dórios, que eram guerreiros por natureza.

 

O povo dominado pelos espartanos era os hilotas, que não eram escravos, no entanto, também não eram considerados cidadãos. Devido a essa diferença social, os hilotas organizaram diversos conflitos sociais. Os cidadão de Esparta eram chamados de espartíatas, eles eram os que possuíam direitos.

 

A cidade era administrada por dois reis e um conselho composto por 28 anciões, chamado de Gerusia que possuía a função de governar para as elites. Traduzindo Esparta era uma sociedade aristocrática e militar, onde os homens eram treinados desde de garotos para serem guerreiros. Outra característica importante de Esparta era a xenofobia, incitada pelo fato da cidade ser isolada geograficamente e possuir terras férteis, sendo assim, gerando um militarismo excessivo.

 

 

Atenas

 

Localizada na região da Ática, possuía um solo pouco fértil que as vezes não propiciava o sustento de todo o povo ateniense. Atenas desenvolveu a mineração de prata e o comercio marítimo, este herança cretense.

 

Atenas viveu durante alguns séculos um regime aristocrático, que foi perdendo força conforme os comerciantes foram enriquecendo. Havia neste período na cidade a escravidão por dívida. Os comerciantes que enriqueceram começaram a exigir direitos políticos, o que começou a colocar em xeque o regime aristocrático. Depois de diversas lutas,  foi instituído o Código de Drácon, que dizia que as leis eram públicas e aplicáveis a todos. Mesmo com esse código as revoltas não cessaram e os comerciantes exigiam mais direitos. Sólon, arconte ateniense, cancelou as dívidas dos cidadãos pobres, acabou com a escravidão por dívida, foi criada uma assembléia popular, a Eclésia, e ligou os poderes políticos a quem era mais rico, acabando com os direitos políticos apenas quem era nobre. Mesmo assim os poderes dos aristocratas não acabaram, a mudança ocorreu com Clístenes, que instituiu a democracia ateniense. Clístenes, realmente acabou com a aristocracia ao reagrupar as tribos e mudar o sistema de voto, também pôs em prática o ostracismo – que era o exílio de dez anos de um cidadão que prejudicasse a democracia ateniense.

 

 

Democracia ateniense, cidadania e escravidão.

 

A democracia ateniense era direta, todos aquele que eram considerados cidadãos podiam participar, ou seja, apenas homens maiores de dezoito anos filhos de pai e mãe ateniense. Havia três direitos essenciais aos cidadãos: liberdade individual, igualdade entre os cidadãos e o direito de falar na assembléia.

 

Duas casas compunham a democracia, a Eclésia, que era a assembléia deliberativa de todos os cidadãos. E a Bulé, para participar desta casa eram sorteados quinhentos senadores acima de trinta anos. Na Eclésia eram feitas as propostas de leis, onde todos poderiam falar, assim que decidida a lei esta ia para a Bulé onde a lei era comentada e emendada e retornava a Eclésia, onde era votada a lei. Caso a lei fosse aprovada, quem votou contra poderia sair da cidade e se decidisse ficar era obrigado a cumprir a lei.

 

Havia dois tipos de lei em Atenas, as leis divinas que eram feitas a partir dos costumes e as leis dos homens que eram escritas.

 

Na democracia ateniense para que todos pudessem participar era pago aos cidadãos uma ajuda de custo. Esta ajuda era uma coisa rara, pois assim mesmo os cidadãos menos abastados podiam participar do processo democrático. Mesmo sendo uma democracia excludente entre todos, a democracia ateniense incluía os cidadãos menos favorecidos.

 

 O fato mais curioso da democracia ateniense, é que ela sobrevivia a partir da escravidão, pois era comum os cidadãos terem escravos para os ajudarem em seus negócios.

 

 

A vida na Grécia antiga

 

A vida grega era muito diferente entre homens e mulheres. Os homens eram criados desde de criança para serem cidadãos, desde de criança brincavam de luta, incentivando a vida no exército que teriam. Os homens também estudavam filosofia, aprendiam poesia e treinavam a retórica. As mulheres eram treinadas para serem donas de casa, costurar, cuidar dos filhos e dos escravos domésticos.

 

O casamento nas famílias mais ricas era um negócio tratado entre o noivo e o pai da noiva. As mulheres casavam-se em torno dos quinze anos e os homens com trinta e cinco. A função dos homens era servir como um tutor para suas esposas, pois eles já tinham vivência e já tinham servido o exército.

 

Os filhos órfãos de mãe eram criados pela outra mulher que seu pai casara e os órfãos de pai eram criados pela mãe tendo como tutor um homem da família.

 

 

Haveria classes sociais na Antigüidade?

 

A distinção de classes sociais na antiga Grécia era quase inexistente, no entanto, não se pode dizer que não havia conflitos entre os mais abastados e os menos abastados.

 

Aristóteles fazia uma divisão entre os bem nascidos e os não bem nascidos, ou seja, os mais ricos e os menos ricos. Existia também classes jurídicas como: os nascidos livres, os escravos, os libertos, os estrangeiros e os cidadãos.

 

 

Havia vida privada na Antigüidade?

 

Existia uma diferença entre vida pública e vida privada na Antigüidade. A vida pública consistia na definição das próprias pessoas, ou seja, os cidadãos de bem participavam da vida pública que era comparecer nas assembléias e participar do exército. A vida privada era considerado mais o estilo de vida, as famílias mais ricas dedicavam-se mais a vida pública e as famílias mais pobres dedicavam-se a manter o seu sustento.

 

 

A sexualidade grega

 

O sexo para os gregos era considerado algo natural, ligado aos deuses, como exemplo tem Afrodite que eram uma das principais deusas da cultura grega. Na elite havia banquetes onde os homens bebiam, comiam, conversavam, filosofavam e faziam mantinham relações sexuais entre si e com as mulheres presentes no banquete. Havia relações sexuais entre alunos e professores, principalmente nas famílias mais ricas. O conceito de beleza era muito diferente do atual para as mulheres. As mulheres tinham que ser robustas, para permitir bons partos, e terem pele clara, fato que mostrava que elas não tinham que expor ao sol e podiam ficar reclusas em seus aposentos, os chamados gineceus. Os homens eram classificados pela sua coragem e sua inserção social.

 

 

A religião na Grécia antiga e seus mitos

 

A religião na Grécia era uma importante unidade cultural e de costumes do povo, não havia livros sagrados nem um clero organizado. A religião era politeísta, ou seja, possuía vários deuses que interferiam de forma direta na vida dos homens. Tudo acontecia por que um deus quis, fenômenos da natureza, vitórias em guerra, um filho etc.

 

Existiam muitos mitos também que identificavam muito a cultura e a forma de pensamento grego e seus cultos, um dos mitos mais conhecidos é o do Heracles (Hércules).

 

Os gregos para celebrar a honra de Zeus organizavam os Jogos Olímpicos, que era disputado de quatro em quatro anos e os vencedores recebiam coroas de louros e ofereciam sacrifícios a Zeus.

 

 

O pensamento racional

 

Uma pergunta que deixa muitos curiosos é como o pensamento racional grego surgiu, sendo que eles eram muito apegados aos seus mitos e deuses. De início houve filósofos que se tornaram totalmente descrentes dos mitos e deuses gregos, caso de Xenófanes. Surgiu o pensamento que os deuses eram criados a partir da imagem semelhança do homem e não o inverso. Assim, os homens começaram a acreditar que as coisas que aconteciam podiam ser explicadas e não era uma vontade de um deus, um exemplo seria os fenômenos da natureza.

 

O berço da filosofia grega que transcende até hoje foi Atenas, devido a sua democracia. Em Atenas surgiu Sócrates, Platão e Aristóteles.

 

Sócrates presenciou a crise de valores que Atenas sofria, a decadência da religião e das normas de condutas tradicionais, criticou a política ateniense e combateu o relativismo sofístico.

 

Platão, discípulo de Sócrates, era mais conservador e viveu numa época de brigas políticas entre democráticos e aristocráticos. Platão fundou a Academia, onde tratava os assuntos filosóficos a partir de diálogos.

 

Aristóteles foi aluno de Platão e após a morte de seu professor foi tutor de Alexandre da Macedônia. Voltou a Atenas e fundou uma escola chamada de Liceu. Sua filosofia era de caráter mais concreto e procurava dar uma imagem do homem e do universo.

 

 

A arte grega e o homem como medida de todas as coisas

 

A arte grega era toda baseada na proporcionalidade, tudo tinha que ser proporcional, assim como o corpo humano era proporcional.

 

A arquitetura grega possuía três formas principais: a dórica, a jônica e a coríntia, sendo esta última a que possuía uma quantidade maior de detalhes. O prédio mais conhecido da Grécia antiga é o Pathernon, localizado na cidade de Atenas e construído em estilo dórico, que era onde estava a imagem da deusa Atena.

 

Outra forma de representação da arte grega era a escultura que também tinha o homem como objeto principal.

 

 

Das cidades-Estados gregas para os impérios helenísticos

 

A decadência das cidades gregas começou com Atenas perdendo a Guerra do Peloponeso para Esparta. Após isso, Felipe da Macedônia começou a conquistar as cidades gregas e as cidades gregas transformaram-se em Estados helenísticos. As cidades continuaram a existir cada uma com suas regras, e a cultura grega motivo de orgulho para os gregos, foi sendo absorvida pelo império romano conforme os Estados helenísticos foram deixando de existir.

 

 

A civilização helenística

 

A civilização macedônica consistia nas cidades gregas, o Egito, a Palestina, a Mesopotâmia, a Pérsia e a Índia. Diversos idiomas eram falados no império de Alexandre, mas o grego era a língua falada pela elite macedônica. Nesta civilização houve muitas trocas culturais devido à convivência de diversos povos diferentes.

 

 

Roma

 

Roma Antiga: cidade e estado

 

Roma, localizada na região do Lácio na península itálica, uma cidade com fundação lendária a mais de três mil anos. Tornou-se um grande e vasto império com a conquista da península itálica e de todo o Mediterrâneo.

 

 

Como se pode conhecer o mundo romano?

 

Para conhecer a realidade do mundo romano na Antigüidade temos diversos utensílios, que dizem como os romanos comiam, bebiam. Mas a grande fonte para o conhecimento dos romanos da época é a escrita. Os romanos escreviam tudo, comédias, filosofia, discursos, poesias e histórias. Os escritos romanos são conhecidos até hoje porque foram copilados pela igreja católica na idade média. Outra grande forma de conhecer o mundo romano é os idiomas que o latim gerou, como: o francês, o italiano, o português etc.

 

 

As origens de Roma, lendas e histórias

 

A lenda mais conhecida sobre a fundação de Roma é a dos irmãos gêmeos Rômulo e Remo que foram jogados ao rio e criados por uma loba.

 

Roma necessitava de um história de fundação apoteótica que a ligasse com os deuses, para assim ter legitimidade em dizer que eram uma civilização superior as outras. A historia de Roma é divida pelos atuais historiadores em três: monarquia, república e império.

 

 

A República romana

 

A sociedade romana era dividida em três estagmentos: patrícios, que era a elite aristocrática, clientes, que eram servidores e protegidos dos patrícios, e a plebe, que eram os outros habitantes.

 

Apenas os patrícios possuíam direitos, pois eles eram descendentes de uma linhagem de sangue a qual legitimava seus direitos. Após varias revoltas da plebe por direitos, as leis foram escritas pela primeira vez. As leis escritas estavam num código conhecido como a Lei das XII Tábuas, que previa alguns direitos aos plebeus, contudo, não previa o direito de casamento de plebeus e patrícios. Neste código também estava prevista a abolição da escravidão por dívida. Outra forma de diminuir a arbitrariedade dos patrícios para com os plebeus foi à criação do Tribuno da Plebe, que defendia os interesses dos plebeus perante aos patrícios.

 

 

Como se governavam os romanos

 

O governo romano possuía dois magistrados, chamados cônsules, com duração de um ano. Esses magistrados eram escolhidos pelo Senado e também escolhia os outros magistrados que iriam cuidar dos outros assuntos da cidade, como exemplo: questores (tesoureiros), pretores (cuidava da justiça) e os edis (cuidavam dos outros assuntos da cidade). As mulheres romanas não podiam assumir cargos públicos. E o conceito de cidadão era bem mais amplo que na Grécia, exemplificando até os escravos alforriados eram considerados cidadãos e às vezes até cidades inteiras aliadas também eram. Assim, aumentando cada vez mais o número de romanos, os tornando cada vez mais fortes.

 

 

A expansão romana

 

A expansão romana é caracterizada por uma instituição principal e forte: o exército. Roma conquistou diversos povos e tratava de forma diferente cada povo conquistado. Aqueles que lutavam até o ultimo homem eram escravizados e aqueles que se rendiam ao poderio militar romano tornavam-se aliados, ganhando direitos parciais e muitas vezes direitos totais.

 

Roma contava no início contava com um exército que não era fixo, após muitas conquistas este exército tornou-se fixo e assim possibilitou cada vez mais o crescimento do império.

 

Os romanos desenvolveram técnicas militares muito avançadas, seus acampamentos eram verdadeiras cidades, possuíam tudo desde de latrinas a fábricas de armamentos e muros.

 

Com a expansão gigantesca dos domínios romanos, o exército começou a ficar pequeno e os camponeses não tinham como  se sustentar, assim,  o general romano Mário começou a recrutar um exército voluntário e a pagar aos seus soldados. Isto levou a uma fidelidade dos soldados com os seus generais e não mais com o Estado romano, gerando inúmeras guerras civis.

 

Com o enorme alcance geográfico, Roma começou a criar províncias dos povos conquistados. Províncias essas que possuíam suas próprias leis, sob cautela das leis romanas. Sendo criadas dois tipos de províncias: as senatoriais, onde os representantes eram escolhidos pelo Senado, e as imperiais, as quais seus representantes eram escolhidos pelo imperador.

 

Devido ao seu forte exército e planejamento para este exército, com acampamentos bem estruturados e com vias que permitiam o deslocamento rápido, Roma conseguiu perdurar como o maior império já conhecido pelo mundo.

 

 

A importância do exército romano

 

Como citado o exército era base estrutural do Estado romano. Ele possuía não só a função de combater invasões inimigas, mas também possuía a função de reprimir rebeldes internos, ou seja, o exército possuía uma função administrativa. Para que o exército fosse forte existia toda uma estrutura e logística, os acampamentos tinham que ser sempre semelhantes – mesmo a milhares de quilômetros de distância –, as roupas também e os hábitos alimentares os mesmo, já que eles estavam acostumados aos alimentos do Lácio.

 

 

A sociedade romana

 

A sociedade romana sempre foi dividida, as divisões existentes eram: cidadão e não cidadãos, livres e não livres. Apesar dessas divisões, a sociedade romana sempre proporcionou a mobilidade social, ou seja, um escravo alforriado possuía alguns direitos e o seu filho já era considerado um cidadão romano, podendo até ocupar cargos no Estado. Outro exemplo é antes da criação da Lei das XII Tábuas em que um cidadão podia torna-se um escravo por endividamento.

 

Roma, em sua sociedade possuía algumas ordens de riqueza, como: a plebéia, que eram os cidadãos mais pobres, a eqüestre, que eram os cidadãos que possuíam posses para serem cavaleiros do exército e a senatorial, que eram os cidadãos mais ricos.

 

Roma não possuía uma quantidade muito grande de escravos, no entanto, conforme as conquistas foram aumentando o número de escravos aumentou junto. Sendo assim, o império prosperou, mas para poucos. Ou seja, existiam poucos cidadãos muito ricos e muitos miseráveis, isto levou a política de “pão e circo” na decadência do Estado romano.

 

 

A família, a infância e a escola

 

A família romana era patriarcal, tudo estava sob o poder do pai. E este poder se dividia em três ordens: os animais falantes – que eram a mulher, os filhos, os escravos – , os mudos – que eram os animais – e as coisas – que eram os bens materiais.

 

O casamento da elite era uma relação para o aumento de poderes, o noivo tinha por volta de trinta a trinta e cinco anos e a noiva de doze a dezoito anos. Já o casamento dos mais pobres baseava-se para uma ajuda mútua do sustento da família e a diferença de idade era menor.

 

Os filhos das famílias mais ricas iam para escola e aprendiam oratória, literatura e outras coisas e também as iniciavam as praticas militares desde cedo. No entanto, os filhos dos mais pobres normalmente eram alfabetizados em casa.

 

As mulheres não iam a escolas e algumas aprendiam a ler em casa, é provado também que existiram algumas poetisas e intelectuais romanas.

 

 

Amor e sexualidade no mundo romano

 

A sexualidade romana está diretamente ligada a religiosidade, pois o povo romano segundo suas lendas descende de Marte, deus da guerra, e de Vênus, deusa do Amor. No mundo romano, como no mundo grego, era freqüente a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo, no entanto, em Roma não era pedagógica como na Grécia. Contudo, a sociedade romana era mais machista que a grega, pois os homens para serem considerados homens de verdade não podiam ser penetrados. Porém, uma grande exceção a isto é o caso de Caio Júlio César, que teve um romance com a Cleópatra, e também mantinha relações sexuais com muitos homens do seu exército.

 

 

A vida cotidiana

 

A vida de Roma começava ao raiar do sol, logo após isso as instituições abriam. O sistema de horas romano era dividido em doze horas diurnas e doze horas noturnas, que variavam conforma a estação do ano.

 

Os romanos possuíam três refeições, sendo a noturna, chamada de ceia, a mais importante. Os alimentos ingeridos pelos romanos eram: queijo, azeitona, pão, nozes, frutas e o vinho.

 

As cidades romanas eram planejadas, semelhantes as gregas, em forma de tabuleiro. Possuíam duas ruas longas em sentido horizontal e duas em sentido vertical. Muitas cidades foram fundadas pelos romanos, como Londres, Lisboa, Barcelona, Lyon e Munique.

 

 

A religião

 

A religião romana era politeísta e antropomórfica e sofreu grande influência grega. A flexibilidade religiosa romana facilitou para que o império crescesse, pois em muitos casos os romanos adotavam deuses de povos dominados. No império, a religião ganhou um caráter cívico, em que o povo tinha que adorar o deus que imperador preferia.

 

 

A cidade romana

 

 

A cidade romana era o local onde estavam os vivos e desarmados, por isso os mortos deviam ser enterrados, e os soldados ficavam em um local separado. A cidade era composta pelo campo e pelo centro (urbs), onde se encontravam o mercado e os prédios públicos. Como na Grécia, Roma também dividia a cidade em parte alta, onde estavam os templos dos deuses, e a parte baixa onde os cidadãos ficavam. Uma grande criação da cidade romana, foi o anfiteatro. No anfiteatro aconteciam as lutas de gladiadores, e era lá onde a civilização se encontrava com o barbarismo.

 

 

A cultura romana

 

É verdade que os romanos copiaram muitas coisas da cultura grega, mas existem grandes criações da cultura romana e a mais importante delas talvez seja o direito.

 

 

O direito

 

O direito tem uma relação profunda com a escrita, e foi assim que o direito tornou-se tão importante para os romanos. O primeiro conjunto de leis escritas em Roma foi a Lei das XII Tábuas. A vida pública romana também está intimamente ligada ao direito, já que todo o cidadão de bem tinha que ter amplo domínio da oratória e conhecer bem as leis. O sistema jurídico romano passou a ser mais organizado a partir dos dois primeiros séculos depois de Cristo, fazendo assim esta grande criação de Roma permanecer até os dias atuais na sociedade ocidental.

 

 

A literatura

 

A literatura romana foi muito influenciada pela grega. Os romanos escreveram poesia de vários gêneros como: épica, cômica, dramática e etc. Uma das formas de poesia romana era a didática.

 

Os romanos ensinavam suas crianças através da poesia, que muitas vezes podiam ser cantadas. Na prosa os romanos davam grande ênfase a oratória. O mais famoso escritor romano foi o advogado e orador Cícero, que publicou muitos de seus discursos. Os romanos também escreveram romances e filosofia.

 

O povo romano adorava escrever, até mesmo os mais pobres escreviam e como não tinha como publicar, escreviam nas paredes.

 

 

A presença da cultura grega na cultura romana

 

É inquestionável a presença da cultura grega na romana. Um grande exemplo é a religião politeísta romana que absorveu grande parte dos deuses gregos modificando seus nomes, como: Zeus para os gregos e Júpiter para os romanos, Afrodite para Vênus e etc. Além de Roma ter conquistado os gregos, não se pode esquecer que os gregos habitaram o sul da Itália e a Sicília formando a Magna Grécia. Outro exemplo da cultura grega na romana é que os cidadãos da elite romanos falavam e escreviam o grego muito bem e até possuíam peças de arte grega em suas casa.

 

 

Os não romanos entre os romanos

 

No império romano existiam muitos povos que não tinham nada haver com os romanos, mas foram incorporados após as conquistas do poderoso exército de Roma. Esses povos na maioria eram escravizados, provocando muitas revoltas como a de Espártaco, provavelmente a mais conhecida. No entanto, vários povos eram considerados cidadãos de Roma e podiam manter seus costumes e idioma, mas apenas o latim podia ser utilizado como comunicação oficial.

 

 

Transformações no mundo romano

 

Roma durante sua hegemonia sofreu grandes transformações, na monarquia vivia a constituição de sua civilização, na república viveu sua época áurea com muitas conquistas que saíram da península itálica e se estenderam até o norte da África e para França, Portugal e Espanha. E a sua final transformação foi a sua decadência, fato que o cristianismo está intimamente ligado.

 

 

O CRISTIANISMO

 

Onde e como surgiu o cristianismo?

 

O cristianismo nasceu com Jesus, um judeu pobre, que dizia-se ser filho de Deus. Jesus foi combatido pelos judeus, que não acreditavam que ele era o messias tão esperado, e pelos romanos, pois Jesus pregava uma religião monoteísta. A princípio converteram-se ao cristianismo apenas os pobres, que viam em Jesus a esperança de uma vida melhor, uma vida no reino de Deus.

 

A religião cristã não foi tão tolerada pelos romanos como as outras dos outros povos conquistados, uma prova disso é que Jesus foi condenado a cruz, pois sua seita era considerada um afronte ao Estado romano porque ela não cultuava os deuses do panteão e também não reconhecia a divindade do imperador romano.

 

Devido a muitas guerras civis o império romano começou a ruir, nesse tempo o cristianismo já havia ganhado inúmeros adeptos, que mesmo assim eram minoria na extensão dos domínios romanos. O grande trunfo da religião veio com Constantino que aprovou o Edito de Milão dando liberdade ao culto cristão. Constantino também se converteu ao cristianismo, fazendo assim que o Estado romano torna-se cristão e pela primeira vez monoteísta. Todos os imperadores que sucederam Constantino diziam-se cristãos, exceto um, fazendo assim a religião ganhar mais força e o arremate final da foi com Teodósio que concedeu inúmeros privilégios aos cristãos.

 

 

O fim da civilização romana clássica

 

O aparecimento do cristianismo mudou a essência do mundo antigo. Uma prova é que as religiões de Grécia e Roma eram politeístas e eram mais libertas aos cultos diferentes e o cristianismo conseguiu romper tudo isso, pois era pregada uma nova religião com apenas um Deus. No entanto, o império romano continuou a existir por mais um século no ocidente e por mais nove no oriente, com o império Bizantino. Os dogmas que o cristianismo pregou na época de Roma passaram pela idade média e alguns chegam aos dias atuais, comprovando ainda mais que a forma de pensar cristã soterrou a greco-romana.

 

 

* Acadêmico de Direito da UFSC.

 

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Como referenciar este conteúdo

, Thiago André Marques Vieira. Grécia e Roma - Funari. Portal Jurídico Investidura, Florianópolis/SC, 21 Jul. 2008. Disponível em: investidura.com.br/biblioteca-juridica/resumos/historia-do-direito/460. Acesso em: 19 Abr. 2014

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