A importância da interação da família e escola

The importance of family and school interaction

La importancia de la interacción de la familia y la escuela

PEREIRA, Lauro do Nascimento[1]

NOVO, Benigno Núñez[2]

Resumo: Este artigo tem por objetivo de forma sucinta fazer uma análise da importância da interação da família e escola.

Palavras-chave: Interação. Família. Escola.

Abstract: This article aims to succinctly analyze the importance of family and school interaction.

Keywords: Interaction. Family. School.

Resumen: Este artículo tiene por objetivo de forma sucinta hacer un análisis de la importancia de la interacción de la familia y la escuela.

Palabras clave: Interacción. Familia. Escuela.

Sumário: Introdução. 2. Desenvolvimento. Conclusão. Referências.

Introdução

A importância da participação dos pais no acompanhamento escolar dos filhos e como esse acompanhamento contribui para um melhor desempenho da aprendizagem.

A Interação Família e Escola surgiu da necessidade de querer conhecer a realidade da participação da família dentro da escola e como se desenvolve, haja vista que ambas as instituições são muito importantes na vida da criança, pois é nela o motivo maior de sustentação da personalidade da criança, propondo algo que estimula o seu crescimento físico e psíquico.

Percebe-se que para acontecer essa consciência na criança é preciso mudanças radicais em algumas famílias no que diz respeito ao acompanhamento do filho. Tudo porque existem pais que não tem pulso firme nas decisões, não sabe dialogar, ou seja, dizer sim ou não no momento certo, e com isso pode estar formando um filho cheio de desculpas. Aonde não vai à escola porque está com sono, diz não ter aula, às vezes sendo mentira ou se vai não leva a sério o estudo. O tempo passa e os pais não têm a preocupação em examinar o porquê da não existência da aula e com isso o filho vai se acostumando nessa invenção, chegando ao ponto de não haver mais controle.

Acredita-se que a família é a base principal da criança, fornecendo proteção, amor, conhecimentos e valores. Dessa forma, passa a ser a primeira a estabelecer contanto de interação do indivíduo com o meio social, através das relações, experiências familiares que são responsáveis para a formação do caráter dentro do âmbito familiar, escolar e social, pois é na família a primeira escola da criança, ficando o professor para dá continuidade nos aprimores da vida.

Percebe-se que quanto mais a família participa mais eficaz é o trabalho da escola, pois dessa forma, cada um se dedicará as suas atribuições.

A importância da participação da família nas tomadas de decisões, porém, muitas nem sabem desses direitos, não se importam ou são ocupados demais. É fundamental que haja uma mudança nas atitudes dos pais e professores, o importante não é encontrar um culpado pelas situações ocorridas nas escolas, mas sim buscar juntas soluções para tais situações, dessa forma a educação tornará mais eficaz o resultado do ensino aprendizagem do discente.

2 Desenvolvimento

Todo indivíduo provém de uma família, onde essa instituição é a mais antiga da sociedade. Porém mudanças vêm acontecendo drasticamente sobre as famílias brasileiras e do mundo, uma vez que ela é transmissora de valores e protagonista de uma função social. Segundo Pequeno (2003), no decorrer da história brasileira, a família vem sofrendo uma transformação importante, que se identifica com o contexto social, político, econômico de uma nação.

Neste contexto apresenta-se um breve histórico em que se analisam as mudanças ocorridas na família, e como a criança tornou-se importante na sociedade, pois ela nem sempre ocupou o lugar de importância e cuidado que lhe é dedicado.

Ano após ano a família vem modificando-se. Analisando o comportamento familiar de tempos atrás a importância que a família dedicava à criança era mínima. A educação que a mesma recebia era adquirida por meio de terceiros, transmitida através de serviços domésticos.

O psicólogo Ivan Roberto (2012, p. 11) afirma que “os filhos precisam de pais presentes, que proporcionam a vivência da afetividade. É através das experiências vividas com seus pais que as crianças vão estruturar as relações com que elas viveram em sociedade” é na família presente que a criança aprende a conviver com o meio social, onde ela cria sua identidade e estrutura-se como ser humano. Os serviços domésticos eram então confundidos com a aprendizagem como forma muito comum de educar. “A criança aprendia, mas não tinha perspectiva nenhuma de exercer uma profissão”.

Segundo Ariés (1981), os nobres assim titulados por suas condições financeira tinham em suas mãos o privilégio de estudar, onde os mesmos ainda cedo deixavam suas casas para ser educado em meio a Padres junto a Igreja Católica. Aos poucos a sociedade foi modificando-se e a criança que, até então era vista como um adulto em miniatura foi conquistando seus direitos e adquirindo seu espaço principalmente em meio à família, pois já não era necessário sua saída de casa, e sua educação já acontecia em meio ao convívio familiar, onde a figura da mãe tornava-se marcante, responsável por educar os filhos, enquanto a figura masculina dos pais saia para o trabalho mantendo assim o sustento da família.

No final do período colonial ocorre à saída do homem de casa, tornando a mulher a líder do lar. Várias mulheres iniciam na vida social, começando negócios responsabilizando-se por cargos, enfim, torna-se a responsável por sustentar os filhos.

A partir daí a mulher tornou-se símbolo de proteção e cuidado por levar em seu ventre uma vida, com o passar do tempo começou a lutar por direito de igualdade, quebrando preconceito e lutando por direito trabalhista, passando assim a deixar a criação de seus filhos a de outras pessoas cada vez mais cedo. Com isso, o elo entre mãe e filho foi se rompendo.

A reivindicação da igualdade, direito à liberdade sexual, fim do padrão moral da virgindade, controle da função reprodutiva, fim da autoridade exclusiva do homem dentro da família, igualdade de direitos políticos e civis, incluindo mudanças na legislação familiar trabalhista, levaram a família gradativamente a si organizar em função dos novos padrões. (ARAÚJO, 1993, apud SANDRA APARECIDA e ISABEL CRISTINA, 2009, p. 195).

Isso porque a mulher começou a conhecer seus direitos e não se conformou mais só com as lutas de casa, por isso logo foi em busca de melhoria junto à sociedade que desprezava até então suas habilidades e qualidades.

Muitas transformações ocorreram praticamente em todas as esferas, mas nem por isso as famílias ficaram totalmente independentes. O pai sempre era visto como verdadeiro proprietário de riquezas materiais, o condutor e de fácil controle social. Sua obrigação era trazer alimentos para dentro da casa, ficando a mulher para cozinhar e cuidar dos filhos. O casamento era destinado sobre interesse econômico, laços sanguíneos e submetidos a quantos filhos pudesse gerar, voltada a um olhar tradicional e autoritário, sob pena cruel estabelecida pelos pais no ato de desobediência. Por isso a família era entendida como uma instituição importantíssima para a vida social, e que são preparados para procriação, se assim não acontecesse à família era taxada como improdutiva e discriminada da sociedade na época.

Embora a mulher tenha conquistado novos espaços na sociedade, sua função materna ainda prevalece, pois está ainda exerce um importante papel na formação da criança, permanecendo os vínculos entre mãe e filho, sendo que a sociedade deve ter uma visão de que sem a mulher não tem como haver futuros educandos dentro da estrutura de novos aprendizes na sociedade que são o futuro durante tempos e tempos nas convivências sociais.

A família precisa estar constantemente buscando algo melhor entorno da sociedade, para que despertem no indivíduo os valores necessários para crescer junto aos demais. O que dificulta o desenvolvimento da criança é o fato de estar acostumada com os pais e querer atrair a atenção para si e suas vontades serem sempre realizadas. Isso implicará a partir que os pais não educam as crianças de forma a conviver socialmente, dando-lhes um mundo mais aberto que aprenda compartilhar suas vontades e necessidades com outras pessoas.

Toda família deveria ser uma escola onde se aprende a grande arte de amar, de respeitar, onde se brinca, se joga, se chora, se reza e se pratica os relacionamentos pessoais e sociais. Toda escola deveria ser uma família, onde os laços de amor se ampliam, cresce o respeito pelo diferente, adquire-se cultura e sabedoria para viver os princípios da cidadania e da solidariedade fraterna. João Paulo II, Hora da Família. (2004, p. 43).

Um dos pilares importante para engrenar na educação escolar, é antes de tudo a educação familiar. Saber repreender ou elogiar na hora certa são princípios essenciais para uma postura correta com poder de autoridade adquirida através do diálogo.

A escola apresenta como o único lugar em que é possível a convivência com um grupo de crianças de certa idade. É, portanto, o lugar oportuno para desenvolver os hábitos de socialização que a vida em comunidade requer.

De acordo com Sarramona (2002), a educação dos primeiros anos consiste precisamente na promoção de todos esses aspectos sociais e de autonomia pessoal que logo servirão de base para a educação intelectual mais restrita.

Para Içami Tiba (2002) a educação escolar é diferente da familiar. Não há como uma substituir a outra, pois ambas são complementares. Não se pode delegar a escola parte da educação familiar, pois é única e exclusiva, voltada a formação do caráter e os padrões de comportamento familiares. A escola nunca deve observar a educação familiar, pois seu objetivo e preparar profissionalmente seus alunos, cuidando, portanto, da convivência grupal e social.

Com base nesses autores percebe-se a importância do meio social para a criança, mas ressalta TIBA que cada instituição tem sua maneira de educar, que a escolar não substitui a familiar e sim complementa. Portanto, cabe cada instituição desempenhar um trabalho pensando no crescimento físico, intelectual e profissional.

A família é uma das instituições responsáveis pelo processo de socialização das crianças, pois tem em suas mãos o papel de instruir e educar através de valores, ainda que seja um conhecimento dito comum, mas ainda é considerada a base na formação do ser humano. Como primeiro grupo social no qual a criança interage, a família traz consigo um grande valor perante a sociedade, pois é nela que os laços afetivos são construídos, os primeiros laços de convivência humana em que a criança encontra-se aprendendo a viver com normas impostas pela a família dentro de suas limitações no meio à vivencia com indivíduo nas estruturas sociais.

Sobre o assunto Oliveira (2003, p. 66) diz: “A família é a primeira agência de controle social da qual a criança participa, ocorrendo uma socialização baseada em contatos primários, mas afetivo, diretos e emocionais”. Os valores adquiridos na família são insubstituíveis, tornando-a assim, responsável legal da criança no processo de educar e transmitir valores éticos e moral.

A família sempre foi e continua sendo muito desejada por todos, pois ela representa a segurança, o equilíbrio emocional do ser humano, embora já tenha sofrido muitas modificações a família dita como tradicional, aos poucos foi sendo esquecida, e sua composição impostos pela sociedade também, porque sua estrutura hoje vai além dos laços sanguíneos.

Não é preciso uma criança necessariamente ser de laços sanguíneos para poder ser amada pela sua família, acima de tudo os pais devem estar atentos como conversas deixando impor suas opiniões e vontade dentro de certa limitação instigando a aprender a conviver com suas diferenças respeitando etnias, cores e raças dentro do espaço na sociedade.

Em vários países estão perdendo as referências educativas e encontram-se à mercê dos caprichos de seus filhos, que, já crescidos não se mostram tão preparados para a vida como seus pais sempre sonharam, e pelos quais fizeram grandes investimentos. (Tiba, 2002, p. 116).

Antes de falar algo inadequado para a criança julgar-se o que pode ser falado, que o diálogo seja propício dentro do seu entendimento usando palavras adequadas ao relacionar-se a criança na medida da sua faixa etária de idade. Visualizar como a criança depende do adulto para alimentar-se, quando o indivíduo percebe que a criança já consegue colocar os alimentos na boca deixar a vontade que ela aprenda de acordo com seus limites. Se os pais intervirem a criança torna-se independente ao alimentar-se Içami Tiba (2002, p. 285), recorrendo a Charim (2009, p. 25; 26). “Não importa de quantos, nem de quais elementos uma família se compõe. O importante é a qualidade dos laços afetivos que mantêm a dinâmica familiar”.

Conforme o autor, manter bons laços familiares irá estruturar o bom desenvolvimento social da criança. Na prática em que há um equilíbrio e um ambiente bem comunicativo e afetuoso, essa prática ressalta pais democráticos, onde os filhos crescerão com uma boa autoestima contribuindo para a formação de seres que alcançarão auto relação responsável.

Ter-se a família como conjunto por inteiro não tem como a criança sentir nem um vazio de algo que possa sentir falta principalmente quando os pais são presentes nas suas atividades escolares, com isso o interesse na aprendizagem é cada vez maior em querer ser a melhor porque seus pais mostram interesse por suas produções dentro da instituição.

Quando falamos de família lembramos da segurança que ela nos oferece, pois ela deve ser constituída com a finalidade de proporcionar sustentabilidade e proteção, embora as primeiras frustrações na vida de uma criança aconteça na maioria das vezes em casa com a violência doméstica, a criança ainda é um pequeno que passará por etapas e havendo essas frustrações a vida futura dessa criança será marcada por sequelas graves. Por que os pais passam a confiar por inteiro na secretária do lar impondo responsabilidade que as mesmas são da própria família.

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instituído pela lei Nº 8.069/90, e, seu artigo 19: “toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio de sua família e excepcionalmente em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária em ambiente livre de entorpecentes”. Toda criança tem direito a uma família seja ela substituta ou não, e privá-la desse direito é encarcerá-la a uma vida de frustrações e perdas irreparáveis, declara supracitada que não importa ao certo que compõem esta família, podendo esta ser substituta, ou seja, ter vínculos sanguíneos não é importante, pois o objetivo maior é o bom desenvolvimento da criança.

Defende a inserção da escola na vida familiar do aluno. A família por outro lado, deve proporcionar atenção e carinho à criança e deve assegurar um ambiente agradável para que a criança consiga de maneira satisfatória resolver seus objetivos. Tiba (1996, p. 140).

A família deve está apta a dá carinho, atenção e dialogar, numa situação que reflita futuramente no seu aprendizado, junto com os outros numa determinada sociedade de convivências, deixar a criança expor seu conhecimento durante o processo de aprendizagem.

Proporcionar uma vida de lazer, sempre deixando conviver com outras pessoas, com isso o desempenho torna-se mais rápido e mais proveitoso. A criança aprende a desenvolver-se de maneira rápida e fácil, porque no encontro com outros indivíduos a criança sempre interage ganha mais conhecimento no seu cotidiano.

O ambiente é um dos pontos importantes no aprendizado da criança, porque caso não seja um ambiente arejado ela torna-se acomodada e com isso não adquire muito conhecimento transmitido durante o conteúdo repassado, com relação também ao convívio com outras pessoas se o ambiente é agradável ou não, que conversas estão sendo abordadas, se é eficaz no seu desenvolvimento de aprendizagem.

A criança distingue se realmente a família está dando a atenção necessária para o seu aprendizado. Quando à criança tem o apoio familiar, ao chegar à instituição escolar, já está sabendo como situar-se diante dos demais e o seu aprendizado é diferenciado dos outros educandos, que às vezes não tem muito a presença familiar nas suas tarefas escolares.

Por exercer grande influência na vida da criança torna-se ponto de referência, pois a criança desde pequena está sempre a observar o comportamento de seus pais ou responsáveis, buscando de alguma forma copiá-los, esse desejo é uma fonte de inspiração que a criança adota tornando-se reflexo da família, pois a mesma nada mais é que um espelho de vida, partindo desse princípio a criança aprende com as observações como diz Fernandez (2000, p. 131). “A observação é um importante método de aprendizagem, e os pais são os primeiros modelos das crianças”. Então segundo autor a família tem um papel decisivo no ato de educador, pois dela provém hábitos e comportamentos.

Assim como primeira educadora, é indispensável que ela seja um bom exemplo na formação da criança como futuro cidadão. Deve contribuir para a socialização dos filhos em relação aos valores socialmente constituídos, ou seja, deve formar os filhos para a vida em sociedade.

Para o mesmo autor, no decorrer do desenvolvimento físico e mental, a criança é moldada pela família de modo que forma sua personalidade adquirindo aspectos sejam eles positivos ou negativos, absorvendo características marcantes, a partir daí a criança vai se desenvolvendo aos poucos, encaixando-se futuramente em um grupo social que mais lhe atrai.

Ligada a criança por tempo indeterminado, a família exercer sobre ela uma grande influência, seja nas características físicas ou psicológicas, há experiência no cotidiano o que realmente a criança aprende o que estão assimilando com os grupos sociais no meio aos costumes, culturas na sua vida social. Ao longo do percurso ela desenvolve o seu pensamento cognitivo mais isso ocorre devido às influências que são presenciadas com outros indivíduos dentro do sistema de aprendizagem na sociedade.

A jornada de trabalho da família, isto é, dos pais ou responsáveis leva-os a colocarem seus filhos cada vez mais cedo na escola e em várias outras atividades extras, ocupando a criança a tantos afazeres que esquecem de proporcioná-la um ambiente adequado onde a família possa reunir para conversa, trocar ideias, brincar entre outros e o pouco acompanhamento da família irá levar esta criança a inspirar-se em outras pessoas que não faça parte do seu ambiente familiar. Nada pode substituir o afeto que os pais podem dedicar a seus filhos, tentar comprar ou esconder-se atrás de presente é camuflar uma culpa mal resolvida. Sobre o assunto Charim (2009, p. 23) diz: “Mesmo o homem moderno vivendo em meio a tanta tecnologia, ele é dotado de emoções”.

A falta de afeto torna a criança insegura, agressiva e até indisciplinada, como base para a formação da criança a família tende a ser um alicerce do qual tem em suas mãos o poder de moldar esses pequenos seres humanos que iniciam sua formação na sociedade, lhes deixar desprovido de afeto e deixá-los insensíveis de forma que o ser humano cresça, carente desse afeto, e a sua falta pode prejudicar muito o desenvolvimento emocional da criança. Percebe-se que toda criança é necessário carinho, com isso sente-se amada pela a família faz de tudo par ser a melhor dentro de suas apresentações porque presencia que os pais dão lhe atenção necessária nas suas produções tanto na estrutura familiar como na instituição escolar. Quando a criança não desfruta do carinho necessário suas produções não são mais aquelas que têm um acompanhamento adequado por seus familiares.

Em várias famílias acontece o que chamamos de planejamento familiar onde a mesma se organiza e se prepara para a chegada de uma criança de acordo com sua situação aquisitiva e financeira desde o nome, aos pequenos detalhes como a cor da roupa, brinquedos, o quarto entre outros aspectos.

Especialistas e pesquisadores afirmam que desde esse momento a criança já se sente amada e desejada não havendo este preparo há o que chamamos de vinda inesperada. A partir do momento que a criança percebe esse amor e carinho que sua família se prepara já nasce sendo amada e desejada planejada, tudo torna-se maravilhoso quando os pais têm essa preocupação em planejar a vinda de um filho, porque não vai ser indesejado, houve primeiro um preparo.

A criança já tem um lugar conquistado perante o âmbito familiar no qual estará sujeita a sentimentos e emoções vinculadas aos membros de sua família socializando-se de forma ainda imatura com o meio. O educar neste meio irá se perpetuar através de observação e hábitos por ele adquirido, conhecimento dito ainda comum, mesmo assim é uma conquista de aprendizado conquistado em meio à socialização familiar.

Com o passar dos anos pode-se perceber o quanto evoluiu quando se refere à família e como a estrutura familiar conquistou a liberdade de escolher seus companheiros, mudaram também, assim os valores, crenças e sentimentos envolvidos na instituição familiar foi modernizando-se. A desestrutura família começa quando não há um planejamento nem regras perante os membros que compõe essa família, uma criança que cresce em um ambiente onde ela não é desejada e onde a mesma não tem limites e regras esta tende a ser uma criança dita problemática, é a partir da família que a criança começa sua história e aos poucos vai tomando consciência do seu espaço e das atitudes que a mesma pode e deve tomar, espelhando-se sempre naqueles que compõe sua família. A criança vai focalizar em exemplos que a família transmite, através dos mesmos independentes do que sejam os exemplos ocorre à imitação sejam eles ruins ou bons e uma aprendizagem que adquire no seu desenvolvimento passa a ser algo que faz parte de suas vivências dentro do âmbito familiar.

Para Charim (2009, p. 29), uma família bem estruturada é comparada a uma árvore que há bons frutos, pois nela há limites, regras e os valores não foram esquecidos, daí surgem cidadãos fácil de dar-lhe com as diferenças meio a sociedade.

Uma criança ao chegar na escola sempre será ligada à sua família mesmo estando por algumas horas distantes dela, seu comportamento é analisado sempre mediante a família embora a escola ainda não conheça.

Talvez os possíveis problemas encontrados na escola sejam solucionados junto à família desde que a mesma esteja presente na vida escolar desta criança, a ausência dos pais na vida educacional de seus filhos nos leva a crer que essa ausência acontece em outros momentos também, como já foi colocado acima na maioria das vezes as primeiras frustrações de uma criança acontecem dentro do ambiente familiar, sendo mais tarde refletido na sua vida social a fora, a começar pela escola, onde acontecerá sua segunda socialização como diz Charim (2009, p. 29) “O brincar, o escutar e o acompanhar dará a criança a certeza de que é amada e protegida”, sendo assim na falta destas atitudes a criança tende a se auto proteger torna-se agressiva a um ponto de afasta dela as pessoas que buscam uma amizade ou ajudá-la.

Uma família desestruturada mostra a falta de interesse pela a criança, acomoda não cuida da mesma com o necessário, a falta do diálogo e afeto, a partir como a criança tem ânimo de estar produzindo suas tarefinhas para quem mostrar se não tem um incentivo, o carinho que deve receber por direito, pois é um ser ainda na fase de aprendizagem perante a sociedade. Uma criança presente neste ambiente torna-se refém dessas desestruturas, tornando-se rebelde e difícil de lidar, o diálogo foi e sempre será uma grande ferramenta no ato de educar na sua ausência é difícil lidar com os problemas existentes e mesmo a um contado verbal ou não podemos descobrir os fracassos familiares, pois a criança é um ser transparente em dados momentos ajuda sem ao menos dizer uma palavra.

Os reflexos da desestrutura familiar são percebidos na criança de várias formas: no falar, no brincar, no brigar e até mesmo no silenciar da criança, embora a família seja importante no ato de educar ela divide essa responsabilidade com as instituições educacionais e confiar esta responsabilidade a outros é delegar aos mesmos direitos de zelar pelo bem da criança.

O diálogo entre ambas é a melhor forma de solucionar os possíveis problemas encontrados na família que em alguns momentos são desconhecidos pelo mesmo. A escola busca sempre a evolução de seus alunos e com o passar dos anos tem buscado o auxílio da família, pois esta é consciente do valor que a mesma exerce na criança, escola e família são laços que não deve desligar-se porque perante a sociedade são instituições que devem trabalhar em conjuntos ao alcance dos mesmos objetivos.

Infelizmente as práticas educativas no Brasil os pais ainda pouco participam ativamente da vida escolar de seus filhos, deixando a maioria das vezes a cargo dos professores ou até mesmo jogado a sorte do destino.

Alguns pais faltosos aproveitam para questionar sobre a vida dos filhos na escola jogando a culpa nos professores que por sua vez se volta contra a família por que tem de suprir uma falta de autoridade. As famílias põem a culpa na sociedade como um todo, incluindo a escola, por ter relaxado certos valores tradicionais, como afirma Sarramona.

Educar consiste em saber dizer não em algum momento, exercer a autoridade significa respeitar a personalidade dos filhos e dos alunos, que deve ter o direito de exprimir sua opinião, complementa a manter os critérios com convicção e firmeza. (Jaume, 2002, p. 18).

Analisando esses aspectos da indisciplina dos filhos, há várias famílias que promovem uma forma de liberdade inadequada, onde os filhos gozam de uma liberdade que ainda não estão preparados para usufruírem. Esse fato pode ocasionar em muitos adolescentes a sensação de abandono dos pais. Esse abandono irá refletir na escola, ocasionando na criança uma desvalorização do que é aprendido na escola.

A educação materializada na escola é resultado de uma construção. O homem, historicamente, desenvolve a educação por meio da aprendizagem mutua. Na antiguidade aconteciam através da transferência de pais para filhos. Na idade média passa-se a enxergar a educação de forma diferenciada, sendo que as classes “abastadas” pagavam mestres particulares para suas crianças. Foi no século XVII que nasceram as primeiras escolas públicas mantidas pelo Estado. Em meio a este processo histórico, a escola sempre foi tida como instrumento das classes dominantes para manutenção de sua hegemonia.

Na sociedade primitiva, a educação acontecia de modo espontâneo e integral, ou seja, não existiam instituições educacionais, portanto o processo educativo tinha como instrumento a transmissão entre os membros do grupo, por isso, se dava integralmente. Conforme afirma Ponce (1986), na sociedade primitiva, sem a divisão de classes, os objetivos da educação são resultados da estrutura homogênea do ambiente social, identificando-se com os interesses comuns do grupo, acontecendo de forma igualitária para todos os membros. O modelo de sociedade primitiva é superado a partir do momento em que se estabeleceu a divisão de classes, onde acontece à substituição da propriedade comum pela propriedade privada, o processo educativo, também, sofre tais influências, pois:

[...] Com o desaparecimento dos interesses comuns a todos os membros por iguais de um grupo e sua substituição para interesses distintos, que até então era único, sofreu uma partição: a desigualdade econômica entre os “organizadores” - cada vez mais exploradores – e os “executores” – cada vez mais exploradores – trouxe, necessariamente, a desigualdade das educações respectivas. (PONCE, 1986, p. 25).

Segundo Pires (2003, p. 46-47), na sociedade dividida em classes, a educação é utilizada para formar o “[...] homem limitado e cercado em suas possibilidades de enriquecimento para o fortalecimento do homem unilateral”. Afirma ainda que, tal direcionamento perpassa a escola, pois “[...] tanto na escola como na vida, a educação burguesa é um instrumento de dominação de classe, tendo seu poder localizado, sobretudo na capacidade de reprodução [...] adequados à reprodução dos interesses e do poder burguês”.

Foi no final do século XVIII que aconteceu a Revolução Francesa, precisamente, no ano de 1789 havendo a união do povo francês sob a liderança da burguesia, tendo como principal marco a derrota do regime absolutista. Neste processo que nascem as primeiras reivindicações de direitos, dentre eles, o direito à escola pública como responsabilidade do Estado. Manacorda (2002, p. 358) mostra que neste período histórico, o qual é chamado por ele de setecentos, é que se:

[...] faz da escola, sem mais rodeios, um politikum, um interesse geral que o próprio poder não somente controla, mas já organiza e renova como algo de sua própria competência. E à iniciativa do despotismo esclarecido se acrescenta logo a duas revoluções do novo e do velho mundo: nas palavras dos jacobinos, a instrução torna-se “uma necessidade universal” (MANACORDA, 2002, p. 358).

Mesmo diante de grupos politicamente contrários, uma nova estrutura escolar passa a ser pensada e introduzida na sociedade moderna. A escola surge, neste período, segundo Saviani (1997), como solução à ignorância, vista como instrumento para difusão de instrução, transmissão de conhecimentos acumulados pela humanidade e sistematizados logicamente, equacionando assim, o problema da marginalidade.

A constituição da escola como “direito”, tem seu ponto de partida, como já referimos, na Revolução Francesa, momento este em que a burguesia se mostra como classe revolucionária e conquista o poder. Os fundamentos ideológicos são pautados nos já mencionados valores burgueses. A marginalização social que o homem é colocado, justifica-se pela ignorância, então, faz-se necessária a criação de instituições “capazes” de tirar o homem desta condição, sendo assim constituída a Escola Tradicional, conforme A constituição dos chamados “sistemas nacionais de ensino” data de meados do século passado. Sua organização inspirou-se no princípio de que a educação é direito de todos e dever do Estado. Só que o direito à educação dependia do interesse da classe que consolidara no poder: a burguesia. Tratando de construir uma sociedade democrática, preparada para superar a situação de opressão própria do antigo regime.

Aos poucos a escola foi tornando-se um lugar para todos, com o surgimento das instituições públicas o direito à educação tornou-se mais fácil. Anos mais tarde a educação tornou-se obrigatória assegurada pela Lei LDB art. 4º Inciso I diz que o dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a quantia de: I ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiverem acesso na idade própria.

Com isso pode-se afirmar que a educação ganhou espaço na vida dos menos favorecidos. A educação é o primeiro passo para uma sociedade melhor, e para o bom desenrolar da educação necessita-se de profissionais dedicados e com o passar dos anos os profissionais da educação tem buscado o melhor aprimoramento de suas profissões.

Nesta perspectiva, é possível identificar que as reformas educacionais iniciadas na última década no Brasil e nos demais países da América Latina têm trazido mudanças significativas para os trabalhadores docentes. São reformas que atuam não só no nível da escola, mas em todo o sistema, repercutindo em mudanças profundas da natureza do trabalho docente.

No atual contexto da educação brasileira, cresce a importância do supervisor educacional, que representa uma das pessoas que procura direcionar o trabalho pedagógico na escola em que atua para que se efetive a qualidade em todo o processo educacional.

Um dos assuntos mais polêmicos da atualidade e que vem sendo amplamente discutido é a educação, no seu sentido de formação humana. Educar é uma tarefa que exige comprometimento, perseverança, autenticidade e continuidade. As mudanças não se propagam em um tempo imediato, por isso, as transformações são decorrentes de ações. No entanto, as ações isoladas não surgem efeito. É preciso que o trabalho seja realizado em conjunto, onde a comunidade participe em prol de uma educação de qualidade baseada na igualdade de direitos.

O desenvolvimento da sociedade moderna representa motivos de muita reflexão, principalmente pelo fato de que a área educacional possui muitos problemas e que diretamente vinculam-se as demais atividades sociais visto que são tais profissionais que irão atuar junto ao mercado de trabalho.

Trata-se de ignorar as velhas práticas educacionais e acreditar na possibilidade de construir uma sociedade onde o homem tenha consciência do seu papel e da sua importância perante o grupo.

Santos e Haerter assinalam:

A necessidade de empreendermos tentativas de rompimento com verdadeiros “receituários” que todos nós professores tínhamos no sentido de “educar é assim”, “conhecimento é isso”, “é preciso cumprir o programa de conteúdos”, o que não nos causa estranhamento, uma vez que somos frutos de uma maneira bastante específica de ser, pensar, sentir e agir no mundo, identificada com a concepção cartesiana de conhecimento, que orientou e ainda orienta os conceitos e práticas relacionados à gestão e ao ensino na educação. (2004:3)

Acredita-se que se existem falhas no sistema educacional a melhor maneira de redimensionar o trabalho é assumir o compromisso de fazer do trabalho educacional uma meta a ser atingida por todos. Nessa busca incessante por uma nova postura de trabalho, o professor possui um papel fundamental, por isso, deve recuperar o ânimo, a sede e a vontade de educar e fazer do ensino uma ação construtiva. Deve agir como um verdadeiro aprendiz na busca pelo conhecimento e fazer desta ferramenta um compromisso social.

Conforme Freire (1998), a educação libertadora passou a inspirar novos conceitos que orientam uma nova sociedade baseada nos princípios de liberdade, de participação e de busca pela autonomia.

Segundo o autor a educação libertadora abriu caminhos para uma nova forma de conhecimento, pois ela trouxe a oportunidade de questionar, escolher e praticar, trazendo assim, inúmeras vantagens a todas as classes sociais. Claro que está longe do ideal, haja vista que a educação continua engatinhando e os colégios que se destaca a concorrência são assustadoras, fazendo os pais sofrerem angustia e até desequilíbrio no ato da matrícula.

É preciso olhar a realidade presente em sala de aula e os conceitos trazidos pela criança para refletir os métodos e modo como devem ser trabalhos no espaço escolar. Conscientização a partir da dúvida e do questionamento: o supervisor deve atuar na dinamização de um clima de análise das rotinas da escola para que as mesmas possam ser confrontadas com as novas ideias que se almeja desenvolver. (PASSERINO, 1996, p. 39).

De acordo com o que foi dito a escola ganha respaldo a partir que há conhecimento da vida familiar e social da criança. Não pode falar de liberdade, se tudo que expõe na escola for algo constrangedor, totalmente for do seu convívio. Percebe-se o avanço que a instituição escolar vem adquirindo, mesmo diante de muitos obstáculos vem se superando gradativamente.

A escola segundo a visão de educação libertadora colabora para a emancipação humana à medida que garantem o conhecimento às camadas menos favorecidas da sociedade. No entanto, diante do exposto até aqui se conclui que a escola, como parte integrante da totalidade social, não é um produto acabado. É resultado, dos conflitos sociais que os trabalhadores vivem nas relações de produção, nas relações sociais e nas lutas de classe. É também fruto das lutas sociais pela escola como lugar para satisfazer a necessidade de conhecimentos, qualificação profissional, e de melhoria de suas condições de vida enquanto possibilita melhores empregos e o acesso a uma maior renda. Não se pode negar este direito aos trabalhadores, e, por isso, a escola pública, apesar dos pesares, é um espaço de Educação Popular.

Contudo, caracteriza Brandão (1999, em seu artigo): A educação existe no imaginário das pessoas e na ideologia dos grupos sociais e, ali, sempre se espera, de dentro, ou sempre se diz para fora, que a sua missão é transformar sujeitos e mundos em alguma coisa melhor, de acordo com as imagens que se tem de uns e outros.

A educação sempre disputa como melhor caminho para o crescimento pessoal, por isso tem-se a necessidade de buscar incansavelmente o objetivo desejado, manifestando o interesse e perseverança nas decisões. Cabe à escola, como sendo uma formadora de cidadãos que estão se preparando para aturarem perante a sociedade, plantar em seu seio o total ideal de relação entre todos os envolvidos, em especial o diálogo com a família. No entanto fez-se necessário compreender o que a instituição de ensino quer transmitir sendo flexível diante de ideias contrárias e das famílias.

De acordo com Nádia Bossa (2008 – DVD3) “aprender na escola leva o indivíduo aprender melhor a vida, aprender melhor na vida, leva o indivíduo a aprender melhor na escolar”. É um ganho recíproco, onde o conhecimento de uma parte facilita o entendimento da outra, tornando assim uma criança compreensível e responsável com suas atividades dentro e fora da escola.

Na trajetória social dos indivíduos, a família tem um papel de primeira ordem, por que, juntamente com a escola, é a responsável pela a transmissão cultural, a sua eficiência depende do grau em que a mesma família participa dessa cultura (BOURDIEV, 1984, apud CÉSAR COLL, 1999, p. 159).

Segundo a autora, o local da aprendizagem seja ela dentro ou fora da instituição, só acrescenta o desempenho do discente, pois cada uma prepara imensa bagagem que desperta nele a vontade de aprender mais. Cabe aos responsáveis favorecerem um ambiente que produza uma alta estima que sirva de investimento na busca de um futuro brilhante na vida da criança. Pois ela aprende de acordo com o meio em que vive. No entanto a responsabilidade primeira é dos pais a qual deve promover uma base que sirva de alicerce e posteriormente à escolar der continuidade preparando para o meio social.

A escola para muitos tornou-se um ambiente onde coloca-se a criança por tempo integral deixando a cargo da escola o que não é apenas papel seu como diz Charim (2009, p. 60):

“Todos os três Segmentos, pais escola, pais e Estado precisam entender que a escola é uma prestadora de serviço e que o ensino sistemático não é depósito de criança”. Tendo esta que conciliar o educacional com o afetivo, crianças com carência afetiva irá buscar em alguém o que mais lhe faz falta.

Interpretando a autora, a família deve se conscientizar de seu papel como educadora e protetora da criança, não deixando que outros se ocupem de tarefas que a ela são destinadas. A criança deve ter seus momentos familiares como sendo os mais prazerosos, e os pais devem lembrar que são os espelhos do filho, pois se isto não acontece à criança irá buscar exemplos fora do contexto familiar.

Nesta perspectiva insere-se a família como parceira inseparável da escola. Duas instituições ligadas pelo mesmo elo à educação. Ambas, educando para a vida e para a sociedade onde a escola é uma extensão da família, dando esta continuidade aos saberes já conquistados transformando-os em saber. A criança chega à escola com um conhecimento e a escola com sua vasta escala de saberes irá moldar e modificar este saber.

Ao lado da família, a escola permanece sendo um espaço de formação que deve, para tanto, repensar a sua ação formadora, preocupando-se em formar seus educadores para que os mesmos reúnam recursos que os permitam lidar com os conflitos inerentes ao cotidiano escolar. É, portanto, na escola, refletindo sobre o que há para ser ensinado às crianças sobre a metodologia que pode tornar mais coesa a ação do conjunto docente, que a escola poderá encontrar saídas legítimas à superação dos problemas morais e éticos que assolam o seu dia-a-dia.

Os deveres têm de ser vistos como uma oportunidade de aplicação dos conhecimentos adquiridos na sala de aula, mas também como possibilidade de adquirir aprendizado que por diversas razões não foram bem-sucedidas na escola. (Jaume, 2002, p. 147).

A escola não é a única instância de formação da cidadania. Mas, o desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade depende cada vez mais da qualidade e da igualdade de oportunidade educativas.

Família e escola têm uma importância em comum: preparam para a sociedade seus futuros cidadãos. A escola que reconhece isso abre as portas para a comunidade, consegue dar um salto qualitativo em relação às outras. Para (DURKHEIM, 1973; 32) “A educação não é um elemento para a mudança social, e sim pelo contrário, é um elemento fundamental para a conservação e funcionamento do sistema social”.

Antigamente existia uma grande diferença entre as classes sociais, por um lado as famílias de classe pobre eram excluídas, consideradas um fracasso dentro da sala de aula. Seus pais depositavam todo rendimento dos filhos à escola, não tinham noção pra colaborar na aprendizagem das crianças, pois além de não saberem ensinar, a quantidade de crianças era grande e não tinha condição para pagar reforço, ficando as crianças a mercê da vida e com isso a maioria não chegava a concluir seus estudos devidos os trabalhos precoce dificultando acompanhar os estudos.

Já as famílias de classe média sempre praticam outra forma de colaboração: o apoio ao estudo em casa. Essas famílias apoiam os filhos na realização dos trabalhos de casa e no estudo recorrendo, muitas vezes, a professores particulares. Nas pré-escolas e no ensino básico, começa a ser comum a participação dos pais em atividades escolares: festas, comemorações e visitas de estudo. Algumas destas formas de colaboração têm efeitos expressivos na melhoria do aproveitamento escolar dos alunos, aumenta a motivação dos alunos no estudo, ajuda a que os pais compreendam melhor o esforço dos professores. Melhora a imagem social da escola, reforça o prestígio profissional dos professores, ajuda os pais a serem melhores. Da mesma forma, estimula os professores a serem melhores profissionais.

Minha linha de educação é de que sempre é tempo de preparar os filhos para um futuro que eles pertencem. Quando se deixa de educar, o crescimento se torna silvestre e não atende as necessidades do mercado e nem da qualidade de vida que pretende ter. (Tiba, 2012, p. 120).

Quando os valores da escola coincidem com os valores da família, quando não há rupturas culturais, a aprendizagem ocorrer com mais facilidade. Porém, quando professores e pais têm raízes culturais diferentes, provoca, nos alunos, dificuldades de adaptação.

Uma atitude de desinteresse e de preconceitos pode danificar profundamente a relação família/escola e trazer sérios prejuízos para o sucesso escolar e pessoal dos educandos.

É preciso que conheça as razões pelas quais as famílias não têm correspondido ao que os educadores esperam enquanto sua participação na escola.

A escola é um ambiente facilitador de bons relacionamentos e consequentemente promotora do sucesso de aprendizagem. Para Delval (2001) a escola possibilita que a criança interaja com outra criança, “essa interação é muito importante para o desenvolvimento infantil, pois promove a cooperação, a possibilidade de colocar-se no ponto de vista do outro”, a criança aprende muito com a interação com outras crianças e com os adultos. Para haver uma boa interação, é necessária a união dos dois polos (professor/aluno).

O professor está incumbido de estabelecer uma mediação entre o aluno e o conhecimento de maneira atuante e prazerosa, pois é nessa relação que o aluno deve adquirir a maior gama de conhecimento de forma que possa aplicá-la na sua vida futura. Para tanto o professor, segundo Antunes (1996), precisa compreender com as mudanças em suas ideologias e formas de pensar ultrapassadas, que traz vestígios de uma pedagogia que apenas deposita conhecimentos nos alunos, desconsiderando os aspectos afetivos envolvidos no processo de ensino aprendizagem.

Vários pesquisadores têm discutido os diferentes mecanismos e estratégias de integração entre família e escola, reconhecendo suas peculiaridades apontando os pontos que favorecem e dificulta tal relação, uma das primeiras barreiras encontradas para a compreensão refere-se à definição do próprio termo envolvimento.

Nesse contexto, dois aspectos dificultam a compreensão do termo. O primeiro refere-se ao uso de definições amplas e muito diferenciadas do termo na literatura, onde são identificadas diferentes ações sobre a participação da família por parte da escola. Por exemplo, oferecer aos pais informações e conceitos sobre a evolução e o desenvolvimento de seus filhos; treinar os pais para orientar e ensinar seus filhos, o que diz a respeito aos conteúdos e conhecimentos acadêmicos; proporcionar momentos de troca de informações entre pais e professores, em reuniões estruturadas; realizar atividades em conjunto, para avaliar a criança ou implementar programas de apoio acadêmico ou social.

O segundo aspecto que dificulta a compreensão do termo refere-se à diversidade entre os ambientes da família e o da escola. Além do conhecimento que esses dois contextos onde o aluno realizar sua aprendizagem são diferentes e diversificados, é importante também identificar e lidar com as similares e diferentes entre eles.

Segundo Reis (2007, p. 6), as crianças são filhos e estudantes ao mesmo tempo. Assim as duas mais importantes instituições da sociedade contemporânea, a família e a escola, devem unir esforços em busca de objetivos comuns. Educar não é tarefa fácil, principalmente em uma sociedade com certas tendências sociais de forte influência que não ajudam melhorar a consciência moral, individual e coletiva. É preciso exercer a autoridade que legitima a educação. Isto significa também respeitas as personalidades dos filhos e dos alunos, que devem ter o direito de expor sua opinião. A educação necessita de autoridade e não de autoritarismo.

Para o autor a educação precisa atuar com firmeza nas suas decisões, mas nunca desenvolver atos que esbanja temor, reprimindo o aluno a expor seu pensamento, suas vontades ou opiniões. A partir que a escola confunde a autoridade, onde é feito através do diálogo, do respeito em que professor e aluno têm direito de falar e ouvir, com certeza será diferente daquela que o professor fala e o aluno só escuta, pois a tendência é que cresça um aluno tímido com pouca expressão devido à repreensão no ato do seu desenvolvimento.

É fundamental que se entenda que pais e professores assumem lugares distintos e cumprem funções diferentes, porém complementares, na educação das crianças. Para isso, é importante criar entre família e escola um espaço de acolhimento, ajuda e aprendizado mútuo de estratégias produtivas e eficazes na educação de jovens e crianças. (Dowling, 1996; Silveira, 2007).

Nota-se que a família se encontra distantes de suas funções educativas, enfraquecida na sua autoridade. A quantidade de informação disponível sobre as crianças parece, paradoxalmente, facilitar e ao mesmo tempo assustar os pais quanto à educação de seus filhos.

Frente a esse desafio, vários estudos têm apresentado um resultado preocupante: à medida que os alunos progridem na escola, a família participa e os acompanha menos (Silveira, 2007). Isso significa que os pais vão à escola quando existe algo que diz respeito ao mau comportamento do filho, caso contrário, a autoconfiança distancia, pois sabe que estando perto ou longe seu filho dificilmente provocará constrangimento.

Uma das melhores formas de se atingir a família é através dos próprios filhos; daí a relevância da escola desenvolver um trabalho participativo, significativo, em que realmente o aluno se envolva e entenda o que está sendo proposto para ele. Desta maneira, o próprio filho terá argumentos para ajudar os pais a corresponder a proposta da escola.

Dessa forma cabe à escola organizar metas e horários para melhor integrar as famílias nos trabalhos escolares, tornando pais e filhos conscientes da necessidade dessas instituições família e escola andarem juntas para um melhor desempenho frente à sociedade. (VASCONCELOS, 1999, p. 80).

Família e escola são alvos de encosto e sustento ao ser compassivo; é também marcos de identificar entre ambos. Mais positivo e expressivo serão as decorrências na formação do sujeito. A contribuição dos pais na educação formal dos filhos deve ser inabalável e consciente. Vida familiar e vida escolar são simultâneas e complementares. É importante que pais e professores, alunos compartilhem conhecimentos, alcancem e trabalhem os assuntos envolvidos no seu dia-a-dia sem cair no ajuizamento culpado ou inocente, uma vez que tudo o que se relaciona aos alunos tem a ver com a escola e vice-versa. “Cabe aos pais e a escola preciosa tarefa de transformar a criança inexperiente em cidadão maduro, participativo, atuante, consciente de seus deveres e direitos, possibilidades e atribuições”. (SANTO, 2008:14).

O educador atual adquiriu novas possibilidades, com isso esse dever deve ter a percepção de que o educador não se restringe ao próprio bem-estar, além da extinguir sentenças atrasadas de ensino, pois esse respeitado era como o dono da verdade, possuidor e toda informação que podia informar sobre todo e qualquer argumento caso fosse interrogado.

Deve estar consciente de que o grande desafio e compromisso pedagógico são de tornar realidade para os educandos na escola prazerosa, democrática e competente, prevendo acesso aos mesmos conhecimentos e valores através da integração das múltiplas linguagens que educam e sintonizam todos com seu tempo, buscando a sua transformação.

Afirma Moran modelos de educação tradicional não nos servem mais, porém, a função primordial da escola continua sendo a mesma: O ensino, tendo a questão pedagógica na base de todos os esforços para melhoria da sua qualidade. Porém, a escola precisa ressignificar o seu papel estabelecendo uma relação prazerosa entre o conhecimento e o saber, transformando-se em um lugar de conhecimento.

Não pode continuar produzindo uma educação onde as pessoas sejam incapazes de pensar e de construir seu conhecimento. Na nova escola, o conhecimento é produto de uma constante construção, das interações e de enriquecimentos mútuos de alunos e professores (MORAIS, 1997: 36).

Conclusão

O educador não caminha na frente do aluno, mas lado a lado com ele, fazendo intervenções segundo o seu estilo de raciocínio, estimular e buscar informações em diferentes fontes. O bom professor é aquele que faz o aluno pensar, mais para isso é necessário planejamento, onde o conteúdo seja viável ao consentimento da criança.

Fica notável quando as famílias são participativas, pois quando os pais freqüentam a escola de vez em quando, nem que seja só para observar o comportamento do filho com certeza surtirá efeito, ainda mais porque vai crescendo sabendo que tem alguém preocupada com seu desempenho dentro e fora da escola, algo que ajudará muito na preparação da personalidade da criança logo porque ela está sujeita a desenvolver uma conduta de acordo com o ambiente a qual está inserida.

Por outro lado, família que não acompanha seus filhos enquanto alunos ou mesmo no dia-a-dia no meio social poderão acarretar um desequilíbrio por não sentir esse apoio que lhe servirá de coluna de sustentação. Quantos pais não tomam providência no tempo certo e depois ficam numa situação vergonhosa com os casos de indisciplinas praticadas pelo filho. São situações rotineiras vivenciadas em alguns colégios, sendo a maioria filho de pais que não frequentam o dia-a-dia escolar ou pessoas responsáveis que já perdeu o controle familiar em casa e com isso chega até a escola. Claro que não pode determinar o desempenho escolar, a indisciplina ou número de falta só pela ausência da família na escola, mas que contribui para esse fim, devido escola e família ser esse elo de estrutura na vida cotidiana da criança.

O apoio familiar reflete na criança, pois o incentivo dos pais colabora para um crescimento harmonioso, gerando expectativa de superação para qualquer obstáculo que venha acontecer, transmitindo segurança e compromisso na aprendizagem da criança tornando um cidadão que fará a diferença na sociedade. Além disso, provoca confiança dos pais, professores que sentem mais seguro para exercer seu papel de educador por saber que pode contar com a contribuição da família, gerando uma proteção no que diz respeito ao comportamento dos trabalhos na escola e posteriormente nos deveres de casa.

Em todos os efeitos, percebe-se nos depoimentos dos entrevistados a diferença de se trabalhar com alunos que tem um acompanhamento em casa, pois cobra, mas também elogia quando supera algo no que diz respeito ao âmbito escolar. Pais e professores que mantém o diálogo dentro e fora do convívio escolar são de melhor compreensão e com isso facilita os laços de amizade que aproxima e faz com que a criança continue esbanjando alegria e despertando nela a vontade de conquistar algo, passando a imitar alguém na sua profissão ou função.

Portanto, fica comprovada que educação não se faz sozinha, é necessário envolvimento assíduo da escola junto às famílias, ambas com suas responsabilidades que merecem destaque no desenvolvimento crítico do cidadão, ficando clara a necessidade de mais projetos que envolva as famílias, passando assim valorizar ainda mais a interação dessas instituições e consequentemente lutar em prol dos mesmo objetivos que é formar um cidadão (ã) com personalidade.

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[1] Pedagogo, Especialista em docência do ensino superior e gestão pelo Instituto Superior de Educação São Judas Tadeu (ISESJT). E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

[2] Advogado, doutor em direito internacional pela Universidad Autónoma de Asunción. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.


 

Como referenciar este conteúdo

NOVO, Benigno Núñez; PEREIRA, Lauro do Nascimento. A importância da interação da família e escola. Portal Jurídico Investidura, Florianópolis/SC, 13 Out. 2018. Disponível em: investidura.com.br/biblioteca-juridica/artigos/direito-constitucional/337006-a-importancia-da-interacao-da-familia-e-escola. Acesso em: 17 Nov. 2018

 

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